Ateliê de Calças

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#MOVIMENTOATELIÊ

Em cada mulher existe uma particularidade a se inspirar e uma similaridade a se reconhecer. O MOVIMENTO ATELIÊ reuniu um time de dez mulheres diversas que exercem a própria individualidade todos os dias: escolhem, amam, acreditam, criam, e inspiram. Essa é a semana mais significativa para celebrarmos a pluralidade da alma feminina, e toda a dor e delícia que ser mulher representa.

Sou Ana Leo, astróloga, pisciana, muita energia de água e super sensível desde pequena. Segui alguns caminhos para trabalhar com design, arte e moda, mas faltava algo. Eu sempre soube que fazer astrologia era o meu caminho. Sempre pesquisei, fui autodidata, fazia o mapa astral de todos os meus amigos. Mas havia um preconceito contra mim mesmo em estudar mais profundamente e me dedicar completamente à astrologia. Eu demorei pra me render, mas quando eu fui eu encontrei o mapa, o meu mapa, o meu caminho. É também a forma como eu ajudo as pessoas.

Qual sua definição para ser mulher?

Definir o “ser mulher” me emociona. É ter a grande oportunidade de evoluir nesse planeta. É o milagre e a benção de poder gerar uma vida. Ter essa capacidade é um salto quântico na sua jornada aqui. É muito lindo.

Eu na verdade sou várias, sou uma típica geminiana. Então nunca é simples assim responder quem sou eu. Na minha vida profissional, eu atuo em duas frentes no meu trabalho, tanto com publicidade, fazendo agenciamento de fotógrafos, como em projeto cultural, através de leis de incentivo, que é a parte mais legal. Viabilizar projetos culturais, unindo projetos bacanas que tenham relevância pra sociedade com marcas legais. Fazemos essa curadoria e os resultados nos dão muito orgulho, por que são projetos que fazem barulho.

Qual é a maior beleza de ser mulher?

É poder ser várias ao mesmo tempo e quando você se entende, tem uma expressão que eu uso que é: “você não precisa pagar moedinha pra ninguém”, porque pode ser o que você é. Aí você descobre que ser mulher é muito incrível.

Sou futurologista, e isso significa basicamente que eu desenho visões de futuro. Eu cheguei a essa profissão a partir de uma inquietação de sempre querer saber a frente de outras pessoas. Aí fui parar nesse universo, de pesquisas de comportamento e entender através de várias metodologias como podemos prever o futuro.

Sobre os movimentos femininos em busca de respeito e igualdade.

Pelo que eu acompanho desde 2013/14 foram desencadeados os movimentos no Brasil de empoderamento e exaustão de todos os abusos e machismos que a mulher sofre. Com a cooperação da Internet para disseminar, é possível perceber que é GLOBAL! Em diferentes níveis, obviamente, mas é um movimento lindo que fortalece a união entre mulheres. Acredito que o primeiro passo seja a informação, que é essencial sabermos dos nossos direitos, trocarmos experiências e nos posicionarmos, para que então toda a sociedade passe a nos respeitar.

Qual é a maior beleza de ser mulher?

A nossa maior beleza está na confiança e isso independe de qualquer físico. Tem a ver com auto estima. E como mulheres, tentam nos derrubar a auto estima diariamente, várias vezes, em várias situações. Seja nos objetificando, não nos dando uma promoção, ou não nos contratando, por que já que somos mulheres, nós obrigatoriamente queremos e devemos ser mães em algum momento, e isso é então um pretexto para que não sejamos contratadas. Há muitos mitos do que é ser mulher e do que nos é imposto. Mas ser mulher é exatamente não se limitar. Poder ser o que quiser.

O projeto Women’s Music Event

No Women’s Music Event nós não unimos só artistas e cantoras, e sim todas que trabalham no backstage da música. Nosso foco é dar luz e espaço a elas. Estamos lá, como uma plataforma digital, para somar e compartilhar assuntos pertinentes ao mercado da música, tecnologia e negócios. Não estamos lá para tratar questões feministas e discutir sobre como é difícil ser mulher na música, ou trabalhar com tpm, ou conciliar a maternidade com a profissão. Já passamos dessa fase. Estamos criando conteúdo profissional e dando visibilidade às mulheres profissionais da área.

Qual é a maior beleza de ser mulher?

O poder de gerar vida (quando a gente toma essa consciência) faz com que as mulheres tenham mais empatia. Eu sinto isso. As mulheres estão se cuidando mais, mais unidas, de mãos dadas. Porque o que implantaram na nossa cabeça, na verdade, lá atrás, foi: “olha, essa aqui é minha inimiga, porque poder ser mais gata, porque poder pegar meu boy” e hoje em dia isso caiu e está bem fora de moda!

Eu tenho 32 anos e tenho um escritório de arquitetura há 9. É até meio esquisito, mas desde pequena eu falava que queria ser arquiteta. Pedia aqueles panfletos com as plantinhas de apartamento, sempre que parávamos no farol e rabiscava em cima. Quando criança meu lado artístico era mais aflorado, de ficar desenhando, pintando em telas, fazendo bonecas de papel que trocavam as roupinhas.

A arquitetura tem um poder transformador. Eu trabalho realizando sonhos, de alguém que vai abrir um novo negócio, um bar, um restaurante, ou então de um casal que acabou de comprar um apartamento e vai viver seus próximos anos naquele espaço, projetado por mim. Nos projetos comerciais é legal porque a gente sente que vai mudando a cidade um pouquinho. É bacana ter lugares por aí onde as pessoas circulam e já percebem nossa assinatura sem nem saber que aquilo foi mesmo projetado por nós. Isso já está acontecendo.

Qual a característica feminina pode mudar o mundo?

E acho que essa sensibilidade, e respeito e caráter entre mulheres, que percebo que fortaleceu muito de um tempo pra cá, é o que pode mudar o mundo. Sinto que estamos entendendo que temos que estar juntas, e o quanto esse respeito entre nós é importante.

Falo que eu sou a ovelha negra da família. Sou filha de mãe professora e pai vendedor, que criaram filhos artistas. Minhas irmãs são dançarinas e meu irmão é músico. Eu até já quis ser artista, principalmente por essa influência das minhas irmãs dançarinas, mas aos 8 anos vi um programa na TV que falava sobre a profissão de estilista, e então coloquei na minha cabeça que queria moda.

Percorri um caminho de muito esforço para me profissionalizar sem muitos recursos financeiros. Sempre tive talento e me dediquei, percebia que me destacava, mas sendo mulher e negra eram dois passos pra trás. Não me davam oportunidades e eu nunca fazia o perfil das empresas. Eu me vi em um momento, ali, com o canudo na mão e o sonho da garota de oito anos realizado, mas tive que desistir da carreira por um período e passei por uma fase de depressão.

Sobre moda e identidade

A moda em si como ela se dá hoje ela não imprime e expressa a realidade de todos, então eu procuro, dentro de como eu me entendo como identidade, do que nasci e vivencio, expressar isso. Eu expresso algo que a moda não expressa. Meu tipo de corpo, cor, raça e o meu olhar.

Tanto é que nos meus trabalhos eu não utilizo modelo passarela, mas sempre modelos reais. Com diversidade, representatividade e despadronizando. No que eu visto e produzo como imagem, eu procuro mostrar algo que o mercado da moda parece que não quer mostrar.

Eu tenho 33 anos e desde que eu comecei a trabalhar eu carrego vida dupla. Publicitária de dia e tocando em festas, como dj, a noite. Essas duas paixões me nutrem muito. Eu amo música e poder tocar, mas não tenho vontade de que essa seja minha profissão oficial, por que eu prefiro deixar isso na caixinha do prazeroso. Poder estar ali, tocando o que gosto para meus amigos. Eu também amo meu trabalho de planejamento e criação na agência.

Qual a característica feminina pode mudar o mundo?

Nossa sensibilidade pode mudar o mundo. Muda o meu. Aplico a sensibilidade em ambos os meus trabalhos, onde preciso ter sensibilidade para perceber e dosar minhas ações para fazer o melhor possível para todos.

Eu sou neurologista. Existem infinitas doenças com as quais a gente lida todos os dias. A vida de uma neurologista é muito inconstante. Como de muitos médicos, todos os meus dias de trabalho é o pior dia na vida de uma pessoa ou o dia em que ela tem a maior esperança. Então lidamos muito com seres humanos, o tempo inteiro.

O profissional de medicina não vai ficando frio, ele vai desenvolvendo uma forma de viver o sofrimento de outras pessoa sem que isso se torne o seu sofrimento. Senão estamos perdidos.

Qual é a maior beleza de ser mulher?

Eu passei muito tempo da minha vida achando que ser mulher não era legal. Entrei em uma profissão em que na época a maioria massacrante era homem, e que existia um preconceito grande com mulheres médicas, mulheres neurologistas.

A verdade é que na época em que nascemos ser mulher não era tão legal. Eu passei por um processo durante minha formação e trabalho onde evolui esse pensamento e percebi que ser mulher sendo médica e ser mulher no mundo é muito mais bonito e legal.

As pessoas se abrem muito mais com a mulher. É interessante, mas os pacientes (seja homem ou mulher) contam mais da vida deles pra uma mulher do que para um homem. Ser mulher é ter colo para dar. Como médica, poder dar colo pra esse paciente, você chega em lugares que um médico homem não chega. No geral, mulher é mais empática, e as pessoas se sentem mais acolhidas. E isso pra mim é muito legal, comecei a achar esse lugar profissional no mundo e sentir-me mais forte.

A moda representa quem somos e como queremos ser vistas pelo mundo. Desde criança sou fascinada com moda, eu tentei fugir um pouco por influência da minha família, mas acabei trabalhando com isso, não teve jeito.

Quando eu fui fazer pós graduação em Los Angeles, fiquei impressionada como a experiência de venda era incrível por lá. Essa experiência foi o que influenciou a Casa Tropi. Nós acreditamos na beleza da simplicidade. Como conseguimos buscar reconexão com os outros, com nós mesmos e com a natureza. Vivemos em um mundo em que precisamos de pausa e calma, de mais cuidado com o próximo. A Casa Tropi quis juntar a moda e esse sentimento. É um espaço de coletivismo e criatividade, que dá espaço para a novidade.

Qual a característica feminina pode mudar o mundo?

Resiliência. A gente guenta. A gente guenta a porrada da vida. E eu acho que a união também pode mudar o mundo, já que temos um grande poder de influência, por termos essa delicadeza e essa “coisa” de reunirmos as pessoas e sermos amáveis.