Ateliê de Calças

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#ELASATELIÊ > Liana Pandin

Foi como uma consumidora comum, que não tinha suas necessidades atingidas pelo mercado, que Liana Pandin decidiu aplicar toda sua bagagem e formação em economia em um projeto de moda. Criar uma marca de calças diversas para todas as mulheres. Esse é o Ateliê de Calças. E Liana, a mulher – e mente criadora – por trás da marca e todos os conceitos. Ela, por ser a cara e a alma do Ateliê de Calças, não podia ficar de fora do nosso projeto #ELASateliê. Além de ser uma inspiração de mulher que acredita e persegue seus objetivos, e coordena sua vida e empresa com muita verdade, alegria e força.

Quais as responsabilidades e dificuldades que enfrenta sendo frente de uma empresa brasileira?

Gosto de começar sempre pela parte boa das coisas, por isso vamos lá. A melhor parte da responsabilidade de estar à frente de uma empresa é sem dúvida criar do zero. Imaginar, sonhar, pensar, idealizar e concretizar. É fazer diferente, porque você acredita em outros modelos de negócio e de gestão e está livre para fazer à sua maneira. Me sinto privilegiada de poder viver isso. Me sinto feliz, também, por ter nascido na década de 80 e ter vivido o mundo analógico antes do digital. Eu acho que ao ter um negócio, a modernidade, a tecnologia e a facilidade de se consumir são super importantes, porém eu também sou apaixonada pela troca humana. Para mim, a tecnologia não substitui o olho no olho, o contato, o diálogo, um café com minha equipe, ouvir sugestões e críticas (e ter sabedoria de enxergar o que fazer com elas). Por último, mas não menos importante, minha responsabilidade de gerir empresa e pessoas fez com que eu descobrisse uma nova forma de trabalhar, sempre me revendo, evoluindo e a cada dia construindo (com a contribuição de muita gente) uma empresa com o propósito que eu acredito. Uma vez li uma frase que faz todo sentido para resumir isso: "Se você fosse um livro, que história gostaria de deixar no mundo?" O Ateliê de Calças e tudo que está em volta é uma das minhas marcas no mundo.

Quanto às dificuldades, no empreendedorismo não tem mesmice, é um leão por dia, sempre um novo desafio. A parte mais difícil de ter uma empresa brasileira é, sem dúvidas, a burocracia e a falta de incentivo ao pequeno empresário. Eu acredito que se algumas coisas fossem mais fáceis ou justas nesse país, o crescimento de empresas que querem se expandir seria muito viável. Por outro lado, acho que ter uma empresa no Brasil não é para qualquer um, isso faz com que eu sempre esteja me aprimorando e me desenvolvendo de uma forma muito intensa.

Você veio do mundo das finanças. Fazendo um comparativo, qual o seu olhar e relação com a moda antes e depois de ter entrado neste universo? No que acha que ela contribui na vida das pessoas?

Fui muito feliz na minha escolha profissional, eu fiz o que eu realmente amo. Amo números e sou fã desse universo previsível de resultado das planilhas. E minha formação e minha carreira me ensinaram tudo sobre dinheiro, economia e como isso funciona no mundo e nas empresas.

Antes de entrar para o universo da moda, eu o consumia limitada no meu estilo pessoal e até a conhecer outras formas de consumo e possibilidades. Como eu nunca fui do meio, ao criar um negócio eu pensei nos números, nunca nessa fantasia e glamour de ter uma marca de moda. Vejo muito isso acontecer nesse setor, uma idealização de que as coisas na moda são mais mágicas do que numéricas, mas no fundo é uma empresa a ser gerida como outra qualquer.

E como uma consumidora comum eu tinha necessidades que acreditava que o mercado não atendia, esse foi uma das grandes sacadas do Ateliê. Eu sabia que o que eu estava pensando para consumo próprio era comum - todas as marcas fazem calças. Porém a forma como eu faria isso seria especial.

Hoje, olhando para trás, eu vejo que entender a lógica financeira fez toda a diferença na minha base empresarial. Depois das coisas consolidadas eu conheci a parte mais artística do negócio, de criar, de colocar no papel, de fantasiar ideias, de ler um livro e um inspirar! Para mim, essa é a nova mágica da moda que eu desconhecia, e a qual particularmente sou apaixonada!

Como você se enxerga como uma mulher que faz diferença para as pessoas?

Gosto de mulheres dinâmicas, me considero uma. Acredito que a sensibilidade feminina me permite ser bem flexível no meu processo de evolução. E adoro interagir com pessoas, trocar ideias e experiências, por isso quando sento para conversar sempre coloco minha opinião e ouço a opinião do outro, essa dinâmica me faz sempre tentar enxergar outros lados, outros pontos de vista, ou fortalecer ainda mais o que eu penso.

Eu me acho justa também. Achava, antes da terapia, que isso era "normal" e depois descobri que é uma super qualidade minha, tanto na vida pessoal como profissional. No Ateliê de Calças sou justa com o processo que estamos inseridos, com nossa cadeia e parceiros. Não acredito em ganhar as coisas em cima de ninguém.

Como a sua mãe e outras mulheres importantes do mundo te inspiraram?

Sou fã das mulheres! Não que eu não seja fã dos homens (risos), mas a sensibilidade feminina é uma ótima qualidade no ser humano. Mulher é multitarefas e se reinventa. Minha mãe é a pessoa mais especial da minha vida porque ela é, sem dúvidas, a pessoa mais autêntica que eu conheço, a tenho como uma "guru". Ela não liga para a opinião alheia, tem suas crenças, é bem direta quando precisa, e a sinceridade dela faz com que ela só esteja cercada de pessoas que sabem como ela é, simplesmente porque ela é isso e pronto.

Hoje reconheço que boa parte da minha criação é reflexo do seu jeito e de suas atitudes em alguns momentos. Como quando ela matriculou a mim e ao meu irmão em uma escola em Rio Preto que estava fora do que as pessoas consideravam "normal". Era uma cooperativa de ensino, onde ela fazia parte do conselho de pais & mestres e discutia sobre evoluções, problemas e melhorias daquela escola. Ela nunca nos tratou como especiais no mundo, como se fôssemos melhores que os outros, e sim como seres humanos que precisam voar sozinhos e respeitar à todos.

Outra história interessante é que desde que eu me conheço por gente, minha mãe nos dava duas festinhas de aniversário na infância: uma festinha com nossos amigos do dia a dia, sempre no refeitório da fábrica da minha família ou em casa, e outra festinha em uma creche, repleta de crianças que não conhecíamos e então passávamos o nosso dia especial lá, comemorando com elas. Hoje vejo a beleza dessas atitudes e como de fato ela foi especial nessas condutas.

Quando saímos de casa e ela teve seu tempo completamente livre, começou então a trabalhar, aos 50 anos. Acho que a maioria do meu dinamismo vem dela, que sempre tratou os problemas como coisas normais da vida de cada um, sempre dizendo: "Estamos aqui fazendo o que nesse mundo, senão trabalhando e evoluindo nosso espirito?"

Essa mágica que tenho pelas mulheres! Consigo enxergar isso na minha mãe. E consigo também absorver de outras mulheres valores únicos como aquelas que são a base de uma família, que ocupam cargos e funções de igual para igual com homens. Acho que quando a mulher tem sua essência verdadeira ela consegue cativar as outras e mover barreiras. É como se fosse uma energia que pode ser absorvida e sentida. Gosto muito da história da Diana, ela me passa autenticidade e a busca dos seus valores. Malala é outra mulher que admiro muito, uma coragem e uma força que parece que não cabe dentro dela.

Cada mulher me inspira porque eu acho que temos características muito especiais que fazem com que estejamos sempre adquirindo novas formas. Um processo evolutivo que está sempre se ajustando, e melhorando.