Ateliê de Calças

banner

#ELASATELIÊ > Julia Tiberio

Tem pouco mais de um ano que Júlia Tibério reinventou-se, saiu do mercado editorial em que trabalhou durante muitos anos como editora de beleza de importantes revistas, para aplicar toda sua formação e expertise profissional em um projeto pessoal; tornar-se um veículo de informação por conta própria. Redesenhar a maneira que sempre trabalhou, aliando-se à marcas e criando um conteúdo personalizado e de qualidade. Durante essa transição, Júlia tirou um tempo para si e para o sonho que tinha de fazer um curso de designer de jóias em Florença. As mudanças vêm gerando muitos projetos e bons frutos, que fazem com que ela sinta que está em uma das fases mais bem-resolvidas de sua vida até agora. Julia é uma inspiração por reinventar-se em busca de seus objetivos, fazer tudo em sua vida com amor e tocar tantas pessoas positivamente com seu trabalho.

Você é formada em jornalismo pela Cásper Libero e já passou por importantes redações de revistas de moda. Como foi essa tomada de decisão de aplicar todo seu repertório e bagagem em moda para além do jornalismo?

Por mais que eu sempre tenha gostado do meu trabalho e minhas funções, já faz uns 2 anos que eu não estava mais contente em mercado editorial, por não enxergar muito um futuro e ser um mercado que está passando por uma fase difícil.

Porém sempre acreditei que a informação e a função que eu exercia lá dentro vai sempre continuar existindo, independente do formato. Então eu comecei a pensar em como eu poderia usar toda a minha expertise de uma maneira diferente, de um jeito que ainda faça sentido para quem está consumindo essa informação.

Como eu já vinha amadurecendo essa mudança há um tempo e em paralelo à isso algumas empresas começaram a me convidar para fazer parcerias, eu resolvi que era a hora de sair e começar o meu próprio caminho. Saí para pensar, colocar a cabeça no lugar e fui fazer um curso de design de joias de 2 meses na Itália. Quando eu voltei, esse movimento já foi fluindo naturalmente.

Acho que só hoje, quase um ano depois, finalmente eu consegui me juntar a marcas que acreditam na mesma coisa que eu; que eu posso ser um veículo de informação por conta própria. Que eu posso me aliar à marcas e criar conteúdo personalizado para elas da mesma forma que eu criava em uma revista.

Para você, qual é a dor e a delícia de trabalhar com o universo da moda?

A delicia é o fato de ser o que eu gosto e sei fazer. É um universo bonito, que desperta desejo e fantasia. Eu vejo tanto por mim, que adoro ficar vendo desfiles, aprendendo e absorvendo moda e também pelas outras pessoas, de como elas acabam se inspirando. E quando você lida com o inspiracional e o desejo você traz uma coisa feliz para a vida das pessoas, você acaba fazendo o bem.

Sobre a dor, sabia que hoje em dia eu não vejo esse lado? Quando eu trabalhava em revista eu via muito, porque eu achava que era um mercado que as pessoas não davam o devido valor, mas hoje eu não vejo a parte ruim. Não vivo em um mundo perfeito, mas estou tão satisfeita e realizada fazendo o que eu faço, que hoje eu realmente não vejo nenhum lado ruim.

Como enxerga essa relação forte entre moda e mulher? Como acha que a moda contribui para o "ser mulher"?

Eu acho que a moda dá poder para a mulher, ela se sente mais poderosa e bonita. Tem também o lado de ser uma realização você se ver vestindo algo que você desejava, você se sente o máximo. Às vezes as mulheres estão passando por um momento difícil; seja doença, separação ou situação difícil no trabalho, e quando olha para a moda, a arte, o que é bonito e diferente, isso é um escape.

Além da importância da mulher estar bem consigo mesmo. Tudo isso que vem sendo pregado de quebra de padrões, eu acredito bastante que é o caminho. Antes a moda excluía e não deve ser assim, a moda é para todos. Quando a mulher sente-se representada, ela fica mais à vontade para permitir-se “sentir bonita”. É um empoderamento forte e importante. As pessoas se aceitarem como elas são e fazerem o que têm vontade.

Você esteve em Florença fazendo um curso de design de joias e lançou a coleção ALLÁ DEL MAR em parceria com a Natacha Barbosa. Esse é um caminho que se identificou e pretende seguir?

Sim, é algo que eu sempre quis fazer. E este curso foi o que me deu coragem de sair de revista, porque como eu ainda não sabia o formato do que eu queria fazer, ter um plano foi importante. E eu sabia que eu queria uma linha de joias. Aí lancei essa coleção com a Natacha e foi muito importante, porque eu só tinha feito a parte de desenho e criação, mas eu não sabia nada da parte prática, de vendas, de produção; toda essa parte comercial que eu não tinha know how nenhum, foi a Natacha que me ajudou a descobrir e a aprender. Nós temos planos de lançar mais algumas coleções em parceria, mas agora vou lançar a minha marca, com o meu nome. Eu já tenho a primeira coleção inteira desenhada e a marca deve ser lançada já nos próximos meses.

Sabemos que você é louca por futebol! De onde veio essa paixão e qual o seu time de coração?

Não sei de onde veio, sempre gostei muito desde criança. Mas na minha casa todo mundo tem esse gosto, minha mãe também adora e sempre assiste, toda a minha família... É uma cultura nossa, então não é tão estranho que eu goste. E é engraçado, porque na minha casa sempre fomos divididos. Eu e meu pai corinthianos, minha mãe e meu irmão palmeirenses.

Eu sempre torci pelo Corinthians desde criança (corinthiana roxa!), mas eu desenvolvi, de uns 10 anos pra cá, uma identificação por Madri, que é uma cidade que eu amo, minha cidade do coração, daquelas que se eu pudesse escolher uma cidade no mundo para morar seria Madri. Então como sempre visitei bastante a cidade eu acabava indo muito em jogos do Real Madri. A violência nos estádios no futebol brasileiro acabou me afastando um pouco de acompanhar os jogos do Corinthians. Não deixei de torcer, mas hoje eu sou mais Real Madri do que Corinthians, mais por essa questão de identificação e de poder acompanhar os jogos.